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    quarta-feira, 7 de março de 2018

    Arrogante, professor da UFRN expulsa aluna de assistir aula acompanhada da filha de 5 anos

    Waleska Maria lopes foi expulsa da sala de aula da UFRN porque estava acompanhada da filha de 5 anos (Foto: Sergio Henrique Santos/Inter TV Cabugi)
    O professor graduado e mestre em Ciências Sociais (UFRN), doutor (Universidade de Paris René Descartes) e pós-doutor em sociologia (UFRJ) Alípio Sousa Filho proibiu uma aluna de assistir às suas aulas porque ela estava acompanhada da filha de cinco anos. A estudante Waleska Maria Lopes trabalha de manhã e de tarde e não tem com quem deixar a criança na hora que vai para a universidade, à noite. Alípio alega que a presença da menina traz prejuízos à aula.

    O fato aconteceu nesta terça-feira (6) durante a aula de Introdução à Sociologia do curso de Ciências Sociais da UFRN. “Me senti muito mal. Minha filha perguntou se não podia mais assistir às minhas aulas. Se era por causa dela. É uma grande humilhação. A única família dela sou eu. Ela só tem a mim. Foi terrível”, relatou a aluna.

    Segundo ela, Alípio Filho a informou que não poderia assistir às suas aulas com a criança e ordenou que Waleska se retirasse da sala. A estudante cria a filha sozinha. Nascida no Rio de Janeiro, onde ainda mora sua família, ela veio viver em Pau dos Ferros, região Oeste potiguar, em 2008. Em 2017, mudou-se para Natal com o objetivo de estudar. Conseguiu entrar na UFRN com a nota obtida no Enem. Na capital, divide um imóvel com outras pessoas, onde também vive sua filha. Durante o dia, trabalha como atendente de telemarketing para sustentar as duas, e nesse período a criança fica em uma escola.

    Alípio Filho diz que não expulsou a aluna da aula. Contudo o professor admite que proibiu a estudante de voltar novamente a uma aula acompanhada da filha.

    “Uma criança de cinco anos, todo mundo sabe, é uma criança que fica inquieta. E a aluna tem que se ocupar com a filha. Se ocupa, porque fica vendo a criança levantar, a criança sentar. E, portanto, a criança fica chamando a atenção da aluna, o que faz com que ela não esteja atenta à aula. Além disso, chama a atenção dos demais alunos”, argumenta.

    Áudio vazou

    Depois que a aluna deixou a sala de aula, Alípio Filho seguiu falando com os estudantes que permaneceram no local. O que o professor disse foi gravado e compartilhado em grupos de WhatsApp.

    Além de abordar as questões mencionadas por ele na entrevista, referentes aos custos e o respeito à Universidade, o docente também direcionou seu discurso para Waleska. “Ela encontre uma rede de solidariedade para cuidar da criança. Não consegue essa rede de solidariedade? Repense sua vida. Não tem que estar fazendo Ciências Sociais, não tem que estar estudando na universidade. Você só faz isso se tiver condições. Agora não vai impôr à instituição coisas que não são assimiladas pela instituição (…) 'ah, eu sou pobre, não tenho'. Problema seu, a universidade não tem problema com isso, se vire”, disse.

    O professor diz que há grupos de alunos que não respeitam as normas da UFRN e querem impôr suas vontades em detrimento do que determina a Universidade dentro dos limites do campus.

    “Esse áudio é maravilhoso, eu agradeço a eles por estar divulgando. Porque é o áudio no qual eu mostro as razões da defesa da universidade pública no Brasil. Dizendo que a universidade é cara, nossos salários são caros, numa sociedade de baixos salários, e que por tão cara que é a universidade pública, ela deve ser zelada e respeitada em sua autoridade moral, o que certos alunos não sabem reconhecer. Eu agradeço, e pode colocar na sua matéria, que o professor agradece a divulgação do áudio”, disse Alípio Filho ao G1.

    Questionado pela reportagem se tinha conhecimento que a estudante é natural do Rio de Janeiro e não tem familiares próximos no Rio Grande do Norte, o professor afirmou não saber do fato, porém disse que essa informação não interfere em sua análise da situação.

    Mais informações Portal G1RN

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