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    sábado, 27 de maio de 2017

    Delação da JBS contamina todo o país

    A mesma onda que mergulhou Brasília em profunda crise na quarta-feira 17 de maio se diluiu pelas cinco regiões do Brasil. Além de desencadear uma série de pedidos de impeachment do presidente Michel Temer — num processo de declínio que teve seu mais recente capítulo no pedido de demissão da elogiada Maria Silvia Bastos do BNDES, já substituída pelo ex-IBGE Paulo Rabello Castro —, a delação da JBS pôs na mira das assembleias estaduais pelo menos quatro governadores nesta semana. Não se imagina que qualquer dos pedidos de impedimento estaduais prospere, mas é inegável o desgaste provocado. Além disso, outros quatro Estados foram atingidos diretamente por conta da conduta de seus governantes.

    No Nordeste, o pedido de impedimento diz respeito ao governador do Ceará, Camilo Santana (PT). Ele é acusado na delação pelo empresário Wesley Batista de receber 20 milhões de reais para sua campanha de 2014 a pedido do ex-governador Cid Gomes (PDT). Em nota, Santana disse que o pedido de impeachment “tem o objetivo claro de se aproveitar do momento instável vivido pelo país para tentar tirar vantagem política". Segundo ele, "isso é oportunismo puro e não vou entrar nesse jogo”.

    O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), também é acusado pelos delatores. Ele teria recebido 5 milhões de reais em troca da privatização da companhia de água e esgoto local, mas, por enquanto, foi alvo apenas de boatos (já desmentidos) sobre um possível pedido de impedimento da seccional local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

    Mais para baixo, no Centro-Oeste, o alvo na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul é o governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Os três pedidos de impeachment que ele enfrenta são baseados na acusação, também de Wesley, de que Azambuja recebeu cerca de 22 milhões de reias de propina da JBS. A acusação dos delatores se estende a dois ex-governadores: Zeca (PT) e André Puccinelli (PMDB). Em nota, Azambuja diz que tudo o que recebeu da JBS para sua campanha de 2014 foi feito de forma regular.

    Já na região Sul, são dois os governadores alvo de pedidos de impeachment. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), já havia aparecido como beneficiário de 17 milhões de reais em caixa dois na delação da Odebrecht. Depois de aparecer como recebedor de mais 10 milhões em propina da JBS — os dois casos são relacionados à área de saneamento —, virou alvo de dois pedidos de impeachment. Colombo negou irregularidades e prometeu "trabalhar ainda mais para garantir crescimento e geração de empregos", acrescentando: "lembrando que Santa Catarina é um dos poucos estados do país onde os salários dos servidores estão em dia".

    No Rio Grande do Sul, onde os salários não estão tão em dia assim, o governador Ivo Sartori (PMDB) enfrenta pedido de impeachment do Sindicato dos Professores por ter sido acusado de receber 1,5 milhão de propina para a campanha de 2014. Em sua defesa, ele disse que a doação da JBS "foi declarada em com recibo, dentro da legalidade".

    Por El País

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