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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Morte do prefeito Celso Daniel do PT é apurada como possível motivo de repasse


O assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) é uma das linhas de investigação do Ministério Público para saber qual o motivo de o empresário de transporte e de Ronan Maria Pinto ter recebido R$ 5,7 milhões do PT por meio de um empréstimo envolvendo o Banco Schahin, o pecuarista José Carlos Bumlai e a Petrobras. De acordo com depoimento do pecuarista, o empresário queria comprar – e assim fez – o jornal Diário do Grande ABC porque ele divulgava notícias vinculando-o à morte do prefeito. Ronan foi condenado por esquema de corrupção no sistema de transporte entre 1999 e 2001, quando Daniel dirigia a cidade.

O Ministério Público evita tratar diretamente desse assunto, chamando-o de “meras conjecturas”, ao menos por enquanto. Mas o procurador Diogo Castor de Mattos disse, nesta sexta-feira, que essa e outras hipóteses também estão em avaliação.
Ronan foi preso temporariamente hoje por ordem do juiz Sérgio Moro, na 27ª fase da Lava-Jato, apelidada de “Carbono 14”, assim como o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, já condenado no mensalão, e o jornalista Breno Altman foram conduzidos coercitivamente para prestarem depoimento.

Em entrevista coletiva na Superintendência da PF em Curitiba, o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Igor Romário de Paulo, informou que houve buscas e apreensões em duas residências de Sílvio Pereira, uma de Delúbio e outra de Altman. Também foram vasculhadas duas empresas de Ronan, o jornal Diário do Grande ABC e a empresa de transporte Expresso Santo André.

Segundo Mattos, um contrato de empréstimo de R$ 12 milhões para o PT no banco Schahin foi firmado em 2004, mas em nome de Bumlai. Desse valor, metade seguiu para dois publicitários ligados à campanha eleitoral de Campinas, fato que ainda está sob apuração.

A outra metade teve Ronan como “beneficiário final”. Dos R$ 6 milhões restante, foram pagos R$ 300 mil como comissão a operadores. E R$ 5,7 milhões ficaram com o empresário. Ele recebeu os recursos em sua empresa, a Expresso Santo André, e em contas de pessoas e pessoas jurídicas indicadas por ele. Um dessas pessoas era o dono do jornal Diário do Grande ABC, que, àquela época, vendia-lhe o controle acionário do veículo de comunicação. Para receber os valores, Ronan se valeu de uma empresa do Rio de Janeiro. Mattos diz que isso configura lavagem de dinheiro.

Sílvio Pereira recebeu cerca de R$ 500 mil da empreiteira OAS, de acordo com o procurador. Esses valores, suspeita-se, tinham origem em contratos da Petrobras. Mattos disse que Pereira, que teve o processo do mensalão suspenso sob condição de não voltar a praticar crimes, retomou atividade ilícita descumprindo seu acordo com a Procuradoria Geral da República.

Delúbio foi conduzido a depor porque foi citado por Bumlai e dois sócios do banco Schahin, Salim Schin e Sandro Tordin, como participante da negociação para fazer o empréstimo simulado em 2004. Já o jornalista Breno Altman foi levado pelos federais porque Enivaldo Quadrado, condenado no mensalão, disse que ele lhe pagou uma multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal com cerca de R$ 145 mil em dinheiro vivo. O repasse é considerado suspeito porque foi forjado um empréstimo e não há informações sobre a origem dos recursos.

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