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    sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

    Droga em testes pode dar a cegos capacidade de ‘ver’ luz

    Um medicamento ainda em fase de testes poderá dar a cegos a capacidade de perceber a luz.
    Estruturas da retina conhecidas como cones e bastonetes são responsáveis pela reação à luz, mas estas estruturas podem ser afetadas e destruídas por doenças.
    Um estudo dos pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley sugere que uma droga poderá dar a estas células no olho o poder de responder rapidamente à luz.
    O olho é formado por camadas que incluem os bastonetes e cones. Outras camadas mantêm os bastonetes e cones vivos, além de passar os sinais elétricos produzidos pelas células sensíveis à luz para o cérebro.

    Os cientistas se concentraram em um tipo de neurônio presente no olho, as células ganglionares da retina. Eles desenvolveram um composto químico, chamado Denaq, que muda de forma em resposta à luz. Esta mudança de forma altera a química da célula nervosa e o resultado são sinais elétricos enviados ao cérebro.
    O estudo foi publicado na revista especializada ‘Neuron’.
    Até certo ponto os testes mostraram que, ao injetar o Denaq nos olhos de camundongos cegos, os cientistas restauraram parcialmente a visão dos animais. Ocorreram mudanças no comportamento mas não foi possível determinar o quanto os camundongos estavam enxergando.

    O efeito da droga acabou rapidamente, mas os camundongos ainda conseguiam detectar a luz uma semana depois da aplicação.
    ‘São necessários mais testes em mamíferos maiores para avaliar a segurança do Denaq no curto e no longo prazo. Serão necessários vários anos, mas se a segurança puder ser estabelecida, estes compostos poderão finalmente ser úteis para restaurar a sensibilidade à luz em humanos cegos’, disse Richard Kramer, um dos pesquisadores.
    ‘Ainda precisamos ver o quão perto vão chegar de restabelecer a visão normal’, acrescentou.
    Os cientistas esperam que a droga possa, no futuro, ajudar no tratamento de doenças como a retinite pigmentosa e degeneração macular relacionada à idade.
    Para Astrid Limb, do Instituto de Oftalmologia do University College de Londres, o conceito do Denaq ‘é muito interessante, poder estimular as células que restam’ na retina.
    ‘Mas, ainda é preciso muito trabalho antes de esta pesquisa ser aplicada em humanos’, afirmou.
    De acordo com ela, a duração do efeito da droga é outra questão que precisa ser resolvida.
    A pesquisa dos cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley é mais uma de uma série de estudos que visa restaurar a visão em casos de cegueira, junto com pesquisas com células-tronco e manipulação de DNA para corrigir problemas genéticos que levem à perda da visão.

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